Romeo Santos: O “rei” da bachata

Cara a cara, o “rei” da bachata é simplesmente Anthony.

PALAVRAS Por Cristy Marrero
Abril 2018
COMPARTILHAR

Fotos por Michael Schwartz / Estilista Laurean Ossorio/ Barbero: Paul Hernández/ Maquillaje: Michelle Morgan/ Lugar: Butcher & Banker, butcherandbankernyc.com

Como o rei da bachata (ritmo musical originário da Republica Dominicana) consegue que a lógica e a paixão dancem em uníssono, enquanto redefine o amor em cada canção?

Passaram-se mais de 25 anos desde que este porto-riquenho-dominicano cantou pela primeira vez para nós com Henry, Lenny e Max no grupo “Aventura”. Mas Anthony Santos — o Romeo de milhares — não é capaz de escolher qual dos três salvaria se estivessem entre a vida e a morte. Também não é capaz de permitir que seu único filho, Alex Damián (de 18 anos), ganhe dele no basquete, mas sonha em passar alguns dias de folga em Bora Bora, na Polinésia. Assim é o homem por trás da coroa.

Uma tarde nublada com Romeo — com cafezinho à mão — na Nova Iorque que lhe deu a vida e a fama é mais do que suficiente para entender que o homem por trás dos discos de diamante, dos shows com ingressos totalmente vendidos e dos chapéus fashion é mais Anthony do que Romeo.

“Eu acredito que a música seja diversão. Quando isso deixa de ser algo que você faz por paixão, que lhe preenche e [em vez disso] se torna apenas um negócio, a coisa estraga. Não levo muito a sério o que consegui. Eu respeito isso, mas tento me divertir no processo”, diz ele, como alguém que tem a sabedoria para entender a efemeridade da fama, mesmo que esta seja muito grande.

Santos promete nunca deixar de se surpreender; ainda mais com cinco indicações para os Prêmios Billboard da Música Latina — no dia 26 de abril em Las Vegas — por Golden, sua mais recente produção, uma turnê de concertos que começou com três Madison Square Garden lotados de suas fieis “romeístas”, e que se estende até o fim de 2018 por toda a Europa, Ásia e América Latina.

“Você nunca se acostuma, e se você se acostuma e não lhe causa emoção, é melhor se aposentar”, diz.

Talvez por isso ele viva com os pés no chão. Não é fanfarrão, nem gosta de aparecer na mídia. Em sua Nova Iorque, dirige o próprio carro, sozinho, e corre entre três e quatro vezes por semana na West Highway, acompanhado apenas por um amigo. No Halloween, sua festa favorita, ele se disfarça e sai com os amigos, irreconhecível, apesar da altura e do porte que o caracterizam.

Tony, como sua mãe Lidia o chama, é comedido. Pensa bem antes de responder, mas não teme ser espontâneo, até mesmo sincero. Visita os pais com frequência e lá não é mais do que um filho trabalhador e cooperador. Inclusive joga fora o lixo e faz a cama.

No Bronx, começou a carreira musical, primeiro com o “Aventura”, grupo que revolucionou a bachata com atitude contemporânea. No início, eram vaiados quando cantavam em público. Eventualmente, encheram um, dois, três Madison Square Gardens. Mais tarde, como solista, Santos só lotou o Yankee Stadium, duas noites seguidas.

“Quando começamos com o Aventura e fizemos o primeiro show em um teatro para 3.000 pessoas — o que para nós era grandioso — nos olhamos e dissemos: Uau, cara, estamos arrebentando! Então, cada vez que canto no Madison Square Garden, no Yankee Stadium... Sim, me sinto grato, mas não sei se essa é a minha definição de sucesso”, comenta.

“Quando o Aventura começou no negócio da música, não nos convidaram para os prêmios, para nada, nem para os camarins. Teria sido um pouco injusto que, naquela época, alguém dissesse: acho que eles não são tão bons porque não foram indicados. O principal aqui é conectar. A música é muito subjetiva."

Proposta indecente

Não é segredo que milhares de mulheres em todo o mundo suspiram, se apaixonam e se desapaixonam ao som bachatero de Santos. Cada canção lhes conta uma história que parece ter sido escrita apenas para elas. Mas, quem ocupa o coração de Tony, o cara do Bronx?

“Dou muita atenção a essa parte, porque entendo que uma fã quer saber por curiosidade, mas sinto que é uma decepção para elas saber que ‘Romeo tem namorada. Ou Romeo tem esposa’. O fato de não falar disso deu bons resultados”, diz ele, embora várias fontes confirmem que tem uma namorada há muitos anos.

Santos não elabora, mas insinua. “Na minha vida amorosa, sempre tive melhores resultados com meninas comuns, que respeitem isso e não sejam fanfarronas”. Essa atitude começa em casa, com seus pais Francisco e Lidia.

“O que eu sou como ser humano, a disciplina, o respeito que tenho pelas outras pessoas, tudo é graças à educação que eles me deram. Até hoje meu pai ainda me diz: ‘Quanto você gastou nesse jipinho?’ E tenho que baixar o preço real”, conta entre risos.

“Meu pai me diz que tudo que é material é barato, que as coisas que podem ser compradas não têm tanto valor. O homem não bebe, não fuma, nunca usou drogas, respeita as mulheres. Então é um cara que você admira, porque ele dá o exemplo”.

Da mãe, o Tony que lhe comprou a primeira casa como um agradecimento a define como uma mulher muito simples. Que sempre o chama de Tony, Anthony, o ser humano. Não de Romeo, o artista. “Nada de ‘O Rei’, ela sempre me lembra de que isso tudo é apenas um trabalho, que mesmo que você ame e se torne um estilo de vida, você deve ser humano primeiro e depois artista”.

E, é claro, existe o filho Alex que teve aos 19 anos com uma namorada com quem ainda mantém boas relações. “Eu sou duro com ele, mas não tanto no papel da disciplina, porque esse papel é desempenhado pela mãe e ela fez um excelente trabalho”, explica. “Sou forte, mas em termos de sensibilidade. Sou um homem muito sensível. E não quero que meu filho tenha momentos tristes”.

Pequenas canções de amor

Enquanto pede para diminuir a temperatura do ar condicionado na sala— porque durante uma turnê o artista deve cuidar da voz “como se cuida de um bebê” — aumentamos alguns decibéis o tom do nosso papo.

“Não é que eu chore por causa de mulheres — embora tenha chorado muitas vezes — mas passei por muitas etapas com as quais aprendi e, hoje, sou uma versão melhor. Eu gostaria de poder pelo menos dizer ao meu filho: olha, se você passar por esse buraco, você pode cair, mas lembre-se de que o papai já passou por aí. É assim que eu tento conversar com ele sobre as meninas”.

E àqueles que tentam seduzir por meio de suas letras nos tempos do movimento #MeToo, ele aconselha que escolham bem o que querem dizer. As letras de Santos vão do sensual ao romântico, e canções como "Propuesta Indecente" e "Noche de Sexo" definitivamente não são para todas as ocasiões.

“É preciso respeitar sempre, e a mulher é a que sempre deve guiar a situação. Escolha canções tão delicadas quanto as mulheres, que não enfatizem o aspecto sexual, mas a beleza do amor, o positivo. A paciência é tudo na hora de seduzir a mulher”.

Com isso, Tony termina o café e protege bem a garganta. Nesta noite, ele tocará para mais de 16.000 pessoas no Madison Square Garden. Nesta noite, Anthony se transformará em Romeo.

Compartilhar

Mais Entretenimento

O grande momento de Cecilia Suárez

Anitta Sem Limites

5 Preguntas: Jessica Mendoza

Zoe Saldana