Zoe Saldana

O equilíbrio entre cinema, família, sua nova empresa e si mesma

PALAVRAS Justino Águila
Maio 2018
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Zoe Saldana pede champanhe. Depois de passar horas a modelar peças de alta costura como um vestido Emilio Pucci em tom pastel, seu capricho espumante pode não parecer grande coisa. Mas seu simbolismo é poderoso e essencial para entender como lida com os aspectos mais importantes de sua vida.

“Dedique um momento para você mesma e lembre-se de que, além de ser mãe, filha, esposa ou irmã, você é você mesma”, diz a atriz. “Eu nunca peço perdão por ir trabalhar. É preciso dedicar um momento para você em que você volta a si mesma. Perseguir nossos sonhos é nosso direito de nascença”.

São esses os momentos em que podemos perceber a Zoe Saldana mais real. Como ou­tras mulheres em qualquer lugar do mundo, a atriz busca continuamente um equilíbrio entre sua vida, seu trabalho e sua família. Aos 39 anos, ela é mãe de três filhos —os gêmeos Bowie e Cy, de três anos, e Zen, de um ano — e esposa do artista italiano Marco Perego. E durante os próximos sete anos ela estará envolvida em várias superproduções cinematográficas da Marvel e em Avatar.

“Não quero dizer que não me sinto culpada, mas não deixo que isso me consuma”, diz Saldana. “Meus filhos têm que sentir que sou segura e saber que sinto prazer em meu trabalho, porque é isso que quero transmitir a eles quando forem adultos e começarem a trabalhar. O mínimo que você pode fazer se tiver de ir trabalhar e ficar longe dos filhos é algo que faça você se sentir feliz ou lhe dê algum tipo de recompensa, seja espiritual, emocional ou mental”.

A recompensa de Saldana é uma carreira de sucesso que não para de crescer. Recentemente, a atriz nascida em Nova Jersey e criada em Nova Iorque retomou o papel da super-heroína extraterrestre Gamora no filme Vingadores: Guerra Infinita, da Marvel, que estreou mundialmente no fim de abril. Interpretou a personagem pela primeira vez em 2014 na primeira aventura da bem-sucedida saga Guardiões da Galáxia. Desde que estreou em 1999 na série de televisão Law & Order, Saldana foi conseguindo papéis mais importantes em filmes como Piratas do Caribe: A Maldição da Pérola Negra, Avatar, Além da Escuridão – Star Trek, Nina e o filme de 2017 I Kill Giants, em que interpretou uma psicóloga que tenta ajudar uma menina de 12 anos. Também emprestou sua voz a longas-metragens de animação como O Livro da Vida e Meu Pequeno Pônei: O Filme.

COMPROMISSO SOCIAL

Saldana reconhece ser grata por participar dos filmes da Marvel e por ter compromissos com Avatar que a manterão ocupada no futuro. Mas é a sua plataforma virtual BESE, que lançou com o marido em 2017, que dá um brilho especial ao seu olhar.

A atriz descreve a BESE— cujo nome deriva do verbo “ser” em inglês (be) e em espanhol (sé) —como um espaço que representa as comunidades que permanecem ignoradas ou marginalizadas. “É meu esforço para esti­mular as pessoas a ter conversas relevantes e importantes”, explica a atriz.

Saldana sabe que muita gente verá seus filmes, especialmente os de maior bilheteria. É por isso que prefere se aprofundar sobre a BESE para dar voz às pessoas que muitas vezes passam despercebidas. Vozes como a de uma agricultora porto-riquenha que se dedicou a ajudar seus vizinhos a reparar os danos e a nutrir a terra depois que o furacão Maria destruiu os campos de cultivo da ilha. “Destacamos o trabalho delas, porque são as histórias que nos inspiram e que nunca ouvimos”, diz a atriz.

Um dos principais objetivos da plataforma é celebrar as diferentes identidades e contextos culturais que compõem os Estados Unidos. “Estou criando três filhos norte-americanos que frequentemente serão identificados ou rotulados como estrangeiros. Quero que eles se sintam orgulhosos de sua identidade multicultural, que é igualmente digna e merecedora do sonho americano”, explica Saldana no portal BESE.com.

A FAMÍLIA ACIMA DE TUDO

No meio da entrevista, o filho caçula de Saldana, Zen Hilario, entra na sala e, de repente, a conexão entre mãe e filho é sem dúvida o espaço mais luminoso para a atriz.

“Oi! Oi, bebê! Diga oi ao meu amigo!”, diz Saldana com o rosto iluminado por um sorriso. Embora tenha crescido em uma casa cheia de mulheres, agora ela mora em uma casa cheia de homens e adora isso.

“Gosto que minha casa seja barulhenta. Eu gosto do caos, do amor, das birras, da energia. Tenho muita sorte”, diz Saldana. “Estou muito feliz em construir uma família com minha alma gêmea”. A obsessão de Saldana com a família tem raízes profundas e remonta à infância.

Três anos depois de nascer em Nova Jersey, Saldana se mudou com a família para Nova Iorque. Quando tinha 10 anos, o pai morreu e o instinto de sobrevivência da mãe prevaleceu. Ela se mudou com as três filhas (Zoe e as irmãs Cisley e Mariel) para a República Dominicana em busca de uma vida melhor e para estar perto da avó e da bisavó de suas filhas. “Quando nosso pai morreu, nossa avó disse ‘de jeito nenhum! ’”, lembra Saldana, rindo. Ela se aposentou antecipadamente e se tornou nossa segunda mãe, e até hoje temos a nossa Vovozinha. Ela é uma globetrotter superfabulosa”.


Na República Dominicana “nós tínhamos tudo”, lembra Saldana, no sentido li­te­ral e figurado. Nos sete anos em que viveu no país caribenho, a atriz enfatiza que desfrutou de uma sólida rede familiar na qual avós, bisavós, tios e primos próximos e distantes contribuíram para lhe forjar a identidade. “Tivemos altos e baixos, experimentamos o urbano, o rural, a riqueza, a pobreza, o prestígio... tínhamos tudo em nossa pequena ilha, e foi uma experiência incrível. Apesar de ser um país em desenvolvimento, é também um belo país que nos ensinou muito sobre nossa herança latina e caribenha”.

De muitas maneiras, as mudanças dramáticas que Saldana experimentou na infância se tornaram uma inspiração para a atriz, que viu a mãe ter vários empregos como zeladora, babá ou tradutora. A matriarca da família sempre manteve as filhas ocupadas, seja na biblioteca ou em atividades como o escotismo.

Essas experiências ajudaram a lhe moldar as crenças pessoais. E fiel ao exemplo da família com o qual cresceu, Saldana diz que ela e as irmãs gostam de trabalhar juntas em vários projetos, alguns deles cinematográficos. De fato, as irmãs levarão para a tela grande o livro Yo, de Julia Álvarez, com o apoio da produtora Ventana Rosa, de Salma Hayek. Saldana certamente será a protagonista.

“Nossa Salminha é quem lidera o projeto e nos ajuda, nos motiva, nos ensina, nos guia e nos assessora”, diz a atriz. “Adoro ter uma mentora como Salma Hayek. Ter Salma como amiga e mentora, e agora como colega e chefe, é um sonho que se tornou realidade”.

Saldana bebe um último gole de champanhe. Zen acorda e ela o toma nos braços. É hora de buscar os gêmeos. Hora de ir embora. Hora de estar com a família.

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