Coreia Do Sul: A Revolução Verde

As novas alamedas de Seul ilustram como o país se tornou uma paisagem agradável para pedestres (e bicicletas).

PALAVRAS Jeanine Barone  
Agosto / Septiembre 2018
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Fotos por Jun Michael Park

Com as autopistas repletas de veículos e as ruas cercadas por arranha-céus e prédios baixos, Seul não parece ser o epicentro da sensibilidade ecológica. No entanto, está longe de ser outra capital com pouca consideração pelo meio ambiente.

 “A estratégia do governo é criar uma cidade onde andar de bicicleta e caminhar sejam preferíveis e mais agradáveis do que dirigir”, diz Jie-Ae Sohn, do Fundo Fiduciário para o Crescimento Verde da Coreia, do Banco Mundial.

Agora, a mais recente revitalização da infraestrutura de Seul é um exemplo deslumbrante de como a capital abraça criativamente uma sensibilidade verde. Em maio de 2017, a cidade abriu o Seoullo 7017 Skygarden, frequentemente chamado apenas de “Skygarden”, uma velha via alta e abandonada (de uma antiga estrada) que se transformou numa alameda impressionante.

 Com quase um quilômetro de extensão e a 15 metros acima da estação ferroviária central, o nome do corredor verde elevado está cheio de significado: “Seoullo” (Seul Street) indica que os pedestres podem caminhar ao longo dessa via como um atalho seguro, muito acima dos congestionamentos; “7017” faz referência a 1970, ano de construção do viaduto, e também a 2017, quando foi inaugurada a passarela verde.

Reconhecendo o amor do país pela natureza, a empresa de design MVRDV, com sede em Roterdã (Holanda), escolheu a folhagem como a estrela de um projeto de mais de 71 milhões de dólares. O exuberante passeio marítimo está pontilhado por 24.000 plantas nativas de toda a Coreia do Sul, agrupadas em jardins temáticos. “É uma biblioteca de plantas”, diz Kyosuk Lee, arquiteto e gerente de projetos da MVRDV.

Mas o Skygarden é mais do que um paraíso-jardim. Os arquitetos também acrescentaram aspectos de cultura e entretenimento. Camas elásticas atraem as crianças em uma pequena área de recreação. Outros espaços acolhem espetáculos de marionetes e eventos teatrais. Uma piscina rasa de azulejos convida os caminhantes a molharem os pés cansados, e vários pequenos cafés oferecem refeições simples. “Tudo isso torna o Skygarden não apenas contemplativo, mas também social, e faz as pessoas voltarem ao parque”, diz Lee. O Skygarden é muito chamativo à noite, quando tudo ao redor é iluminado por uma fantástica luz azul safira, tão lúdico e serelepe quanto a própria cidade. Além do Skygarden, Seul “está encontrando agora o equilíbrio entre a natureza e os arranha-céus”, diz Doha Park, que fundou a We Cycle Korea, uma agência de passeios de bicicleta.

A cidade tem um grande número de espaços verdes. Estes são alguns dos mais visitados:

Ocupando uma ilha inteira no rio Han, o Parque Seonyudo está interligado com trilhas e pontilhado por pérgolas cobertas de folhagem. Séculos atrás, estudiosos confucionistas buscavam inspiração nesta ilha para seus esforços criativos, onde a vegetação se mistura com a memória de seu passado industrial mais recente como uma estação de tratamento de água. Para educar o público sobre o brutal impacto da indústria na natureza, os arquitetos deram nova vida a partes da paisagem que estavam em desuso. As videiras se estendem ao longo de estruturas que lembram árvores que outrora serviram como colunas no antigo reservatório de água potável, e plantas aromáticas crescem nos velhos tanques de decomposição química. “É um pouco parecido com o que se poderia esperar, caso houvesse um apocalipse, e as coisas ficassem em ruínas, mas de uma maneira muito boa”, diz Hallie Bradley que dirige o The Soul of Seoul, um blog dedicado à cidade.

O Parque Hangang é uma série de espaços verdes ao longo das margens do rio Han que atravessa Seul com uma ciclovia em cada margem dessa via fluvial. Cada seção desse colar verde tem um caráter diferente, oferecendo opções de entretenimento e esportes, como um parque de patinação, aluguel de rafting e duas piscinas, uma delas com quedas d’água rasas e fontes. “Meu momento favorito para pedalar pela ciclovia é à noite”, diz Luc Tremblay, presidente e fundador do Seoul Cycle, um grupo comunitário de ciclistas. “Com a ciclovia, pontes iluminadas e pessoas tocando música e fazendo piqueniques, a sensação é ótima”.

Uma velha via fluvial descuidada e poluída, escondida durante muito tempo por uma via elevada, renasceu como o parque linear do riacho Cheonggyecheon, um refúgio de juncos e várias espécies aquáticas. Embora uma das vias mais congestionadas de Seul fique ao longo desse corredor verde, ela oferece um nível de tranquilidade quase Zen. Hoje é comum ver executivos passeando na hora do almoço. “Nas noites de verão, tem gente que dá um mergulho para se refrescar”, diz Bradley. “Também existem murais ao longo do caminho e muitos lugares para sentar e apreciar os arredores”.

Entre o punhado de espaços verdes dentro do extenso Parque da Copa do Mundo, o “Parque da Paz” é especialmente atraente por seu lado excêntrico. O parque está cheio de esculturas e instalações de vanguarda, incluindo uma cadeira gigante, uma árvore pintada de fúcsia e sinos de vento revestidos de cal (chamados de “uivos”), ao lado dos quais as crianças gostam de posar. Muitas trilhas para bicicleta e caminhadas ziguezagueiam por todos os lados.

Rodeado pelos reluzentes arranha-céus do distrito financeiro de Seul, o Parque Yeouido é um bastião de serenidade. Os residentes preferem esse espaço verde alongado para caminhar, correr ou andar de bicicleta, mesmo à noite. Uma das extremidades do parque tem um bosque tradicional coreano plantado com árvores nativas, enquanto a outra extremidade possui um bosque ecológico, e ambos são conectados por calçadões marítimos que passam por um lago, um pântano e por pradarias.

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