Roselyn Sánchez

A matriarca de Grand Hotel queria ser um anjo e agora voa mais alto

PALAVRAS Justino Aguila
Maio 2019
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Sarah Orbanic

Depois de uma sessão de fotos em um moderno hotel de West Hollywood, Roselyn Sánchez aparece com um grande sorriso e um smartphone na mão. “I love you!”, diz a Dylan, seu filho de um ano e meio.

É assim que transcorre a vida de Sánchez: entre sessões de fotografia e ensaios, entre o trabalho e a família, entre o espanhol – sua língua materna – e o inglês, língua que teve de aprender para conseguir papéis em Hollywood.

Aos 46 anos, Sánchez segue suas próprias regras, participando de projetos criados à sua medida. Em junho, a rede americana ABC estreia Grand Hotel, uma minissérie em que Sánchez interpreta a matriarca Gigi Mendoza, com o mexicano Demián Bichir no papel de seu marido, Santiago.

Baseada na popular minissérie espanhola Gran Hotel, a versão norte-americana acontece em um hotel familiar na Miami de hoje. “É ótimo saber que a ABC está nos dando a oportunidade de mostrar a dinâmica de cima a baixo de um hotel no qual a família de cima é latina”, diz Sánchez. A mudança é um reflexo dos tempos nos filmes e na TV que, finalmente, estão dando papéis poderosos aos atores latinos.

Não foi sempre assim. Durante anos, Sánchez tentou perder seu sotaque latino para trabalhar no cinema e na televisão. “Falar como eu falo definitivamente limitou um pouco a minha carreira”, diz. “Durante muito tempo vivi complexada por causa do meu sotaque. E levei tempo para adquirir maturidade e muita leitura para entender que nasci e cresci falando espa­nhol. Que o espanhol é minha primeira língua e é a linguagem que os músculos da minha boca junto da minha língua entendem. Mas meu sotaque é bonito e sempre que interpreto uma latina o faço com orgulho”.

Felizmente, hoje existem mais minisséries para os latinos, inclusive Grand Hotel, cuja produtora executiva é a atriz Eva Longoria, que também foi produtora executiva de Devious Maids. Longoria e Sánchez se co­­nhecem há muito tempo, quando as duas começavam suas trajetórias em Hollywood. Rapidamente se tornaram amigas e logo depois aliadas.

“Roselyn é uma joia para esta minissérie”, diz Longoria. “Foi escrita com ela em mente. É tão talentosa, tão bonita. Dá muita seriedade a Gigi. Ela realmente a retrata como alguém com quem nos podemos identificar, alguém que queremos ser.”

Para Sánchez, a camaradagem fez a diferença em sua carreira. “Ter Eva como uma voz de confiança nos dá um nível de intimidade dentro de um projeto que muitas pessoas nunca tiveram”, opina. “Ela é incrível como amiga e incrível como chefe”.

Sonhando Com A Glória

Sánchez nasceu em San Juan, Porto Rico, em 1973, a única mulher dos quatro filhos de Efraín Sánchez e Olga Rodríguez. Graças à mãe, teve aulas de balé e piano quando criança.

Quando era menina, sonhava em ser a Jaclyn Smith de As Panteras e, embora tivesse inclinação para a música e o teatro, acabou estudando marketing na Universidade de Porto Rico. “Estava na aula de Cálculo, e a professora estava escrevendo uma equação na lousa”, lembra. “Eu tinha zero de vontade de estar lá. A professora então disse ‘Sánchez, venha e resolva a equação’. Ela me chamou umas três vezes, porque minha cabeça estava em outro mundo. Quando perguntou o que eu estava pensando, disse que era ‘em querer ser Gloria Estefan’.”

A professora a aconselhou a perseguir seus sonhos e a investir bem seu dinheiro.

No início dos anos 90, ganhou vários concursos de beleza, trabalhou como modelo e gravou algumas canções. No entanto, representar foi a força motriz de sua carreira. Apareceu como Elena Delgado em várias temporadas na minissérie Without a Trace e em filmes como A Hora do Rush 2, Treinando o Papai e Ato de Coragem, entre outros.

Embora as carreiras cinematográficas tendam a desacelerar com a idade, com Sánchez aconteceu o contrário, porque alcançou cada vez mais destaque, especialmente depois de Devious Maids. Essa fase também coincidiu com seu casamento com o ator Eric Winter, em 2008, e o nascimento dos dois filhos, Sebella Rose Winter, de nove anos, e Dylan Gabriel Winter, de 18 meses.

“Quando me casei, estava em uma fase muito boa na vida pessoal”, confessa. “Tudo estava bem na minha carreira. Dez anos depois estou me­­lhor. Deus foi muito bom comigo. Estou há 13 anos com meu marido em um relacionamento sólido e cheio de amor”. No entanto, equilibrar a família e o trabalho é complicado. “Meu tempo livre é realmente dedicado aos filhos. É muito difícil ser uma working mom”, esclarece.

Comer Bem E Cuidar Da Pele

Manter a forma é fundamental para Sánchez, que faz exercício ao menos quatro vezes por semana. “Essa disciplina foi establecida uma vez que me tornei mãe. Hoje é como uma obsessão. Depois do segundo bebê, sinto que minha mente se transformou, e é muito importante fazer exercícios regularmente, comer bem (sou quase vegana) e cuidar da pele”, acrescenta a atriz, que vive em Los Angeles, mas viaja muitas vezes para Porto Rico e Miami.

Apesar de Grand Hotel ter seu núcleo em Miami, boa parte das filmagens acontece no sul da Califórnia, onde Sánchez curte tanto que convida o elenco para comer em sua casa e para noites de karaokê. Sánchez também faz parte de um grupo de atrizes que se reúne regularmente para almoçar e se motivar, que inclui Gina Rodríguez, Rosario Dawson e Gloria Calderón Kellett.

Sánchez incentiva todos na indústria, especialmente as jovens. “Digo-lhes que pensem para além de ser atrizes... dirigindo, escrevendo, produzindo... Há tanta coisa que podem fazer!”.

“[Roselyn] tenta de tudo”, diz Bichir. “Está pronta para qualquer desafio e sempre tem sucesso. Esta série não funciona sem ela.”

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