Os emitérios são para os vivos

Os cemitérios são para os vivos 10 lugares abrem suas portas para festejar.

PALAVRAS Allegra Hanlon
Outubro 2019
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Toda vez que minha mãe e eu visitamos uma nova cidade, a primeira coisa que fazemos é procurar o cemitério local. Na primeira vez, eu tinha 11 anos. “Olha, Allegra!”, lembro-me dela apontando um túmulo com interesse, comentando coisas como: “Era uma vez uma pessoa com família, amigos e muito para contar. Cada túmulo tem uma grande história”.

Em uma tarde quente de agosto em Nova Iorque, quando cruzo o portão do Cemitério Green-Wood, no Brooklyn, a primeira coisa que me surpreende não são sepulturas, nem almas do outro mundo. São as árvores. Árvores grandes e majestosas, com troncos robustos e galhos muito longos que se curvam uns nos outros. E então, além das árvores, ouço um grito de alegria e viro a cabeça. Vejo um grande grupo de pessoas e, em seguida, um brilho branco entre um mar de ternos pretos. É um casamento!

Os cemitérios foram associados durante muito tempo a pesadelos e filmes de terror, mas quem disse que deve ser assim? Meu amor pelos cemitérios vem dos meus pais, que têm um enorme fascínio por vidas passadas e histórias de gente morta. Aparentemente, minha “tradição familiar” não é tão incomum quanto eu pensava. No Século XIX, as pessoas percebiam os cemitérios não como lugares de luto, mas de alegria. Sendo os únicos espaços verdes em cidades novas e em crescimento, os cemitérios eram usados como parques públicos para piqueniques e passeios de carruagem.


Túmulo dos atores Douglas Fairbanks Jr. e Sr. no Hollywood Forever, em Los Angeles.

“Agora, o que estamos tentando fazer aqui é voltar às nossas raízes históricas, não apenas como um lugar de descanso eterno, mas também de recreação”, diz Nancy Goldenberg, diretora-executiva do Laurel Hill e do West Laurel Hill Cemeteries, na Filadélfia, Pensilvânia. Enquanto alguns cemitérios são “destinos turísticos” há muito tempo (o Hollywood Forever considera-se um cemitério e um centro de eventos culturais), um número cada vez maior também começou a abrir as portas para milhares de visitantes todos os anos.

“As pessoas estão procurando autenticidade, ambientes e entretenimentos únicos”, explica Goldenberg. As experiências vão desde passeios com lanternas até projeções de filmes, passeios com cachorros e ioga. Por exemplo, o Congressional Cemetery, em Washington, DC opera o K9 Corps, um programa de cães com 600 membros (e 770 cães).

Nova Orleans, uma cidade com mais de 40 cemitérios, tem até uma organização dedicada à sua preservação e promoção como espaços de recreação, chamada Save our Cemeteries. Amanda Walker, que atua como diretora executiva, concorda que, nos últimos anos, tem havido uma enorme onda de esforços para atrair cada vez mais gente viva aos cemitérios. “Os cemitérios contam a história deste lugar maluco em que vivemos”, ela diz. Enquanto no Brooklyn é possível assistir a uma aula de cartas de condolências, em Atlanta se pode tropeçar com um festival de música ao vivo.

Entre abril e dezembro de 1848, o Cemitério Laurel Hill, na Filadélfia, recebeu mais de 30.000 visitantes.  Penso nesse número naquele dia no Brooklyn, enquanto observo os noivos trocando um beijo na frente de dois enormes túmulos. Assim como um casamento serve como a celebração de duas vidas, aqui estão alguns cemitérios que se dedicam a servir tanto aos vivos quanto os mortos.


O histórico St. Louis Cemetery No. 1 é o mais antigo de Nova Orleans e o favorito dos turistas.

Cemitério de St. Louis No. 1, Nova Orleans. 
Entre os mais de 40 cemitérios de Nova Orleans, o de St. Louis é o mais famoso. Lar do túmulo da “Rainha do Vodu” Marie Laveau, esta necrópole viu mais de 150.000 turistas em 2018. A Save our Cemeteries oferece visitas guiadas.
nolacatholiccemeteries.org

Hollywood Forever, Los Angeles. 
O cemitério mais famoso e culturalmente ativo de Los Angeles tinha 100 acres desde sua fundação em 1899, até que quase metade do terreno foi vendida para a Paramount Pictures, onde o estúdio permanece. É famoso por seu programa Cinespia, que aos sábados apresenta 
cinema em uma atmosfera de piquenique. 
hollywoodforever.com

Cemitério de La Recoleta, Buenos Aires. 
Declarado o primeiro cemitério público 
oficial de Buenos Aires em 1822, possui mais de 6.400 túmulos de uma grande variedade de estilos arquitetônicos, desde templos gregos até pequenas catedrais barrocas. A moradora mais famosa é Eva “Evita” Perón, a célebre primeira dama da Argentina. Visitas guiadas gratuitas diárias em inglês e espanhol.

Cemitério Green-Wood, Brooklyn. 
Foi fundado em 1838 e é considerado não apenas um Patrimônio Histórico Nacional, mas também um Patrimônio Histórico da Guerra Revolucionária. Seus eventos vão de aulas de escrita de condolências a projeções de filmes e visitas guiadas ao luar.
green-wood.com


Turistas ao redor do túmulo do presidente John F. Kennedy no Arlington Cemetery.

Cemitério de Arlington, Washington, D.C. 
É o lar não apenas do túmulo de JFK, mas também do Túmulo do Soldado Desconhecido, que recorda os corpos não identificados de quatro soldados. Há visitas guiadas e a oportunidade de se ver a cerimônia diária da troca da guarda. Também é um jardim botânico.
arlingtoncemetery.mil

Laurel Hill, Filadélfia. 
Criado em 1836 pelo ex-general John Jay Smith, hoje abriga dois “circos fantasmagóricos” no 
outono, assim como uma série de cinemas, aulas de ioga ao ar livre e visitas guiadas temáticas. Belas ciclovias atraem um número crescente de ciclistas.
thelaurelhillcemetery.org

Panteão de Dolores, Cidade do México. 
O Panteão de Dolores, na Cidade do México, é, em si, uma verdadeira homenagem ao México com a Rotunda das Pessoas Ilustres, uma parte do cemitério dedicada àqueles que fizeram contribuições significativas. Aqui estão os túmulos de muitos heróis da Revolução Mexicana e de outros personagens, como o artista e muralista Diego Rivera e o músico e poeta Agustín Lara.

Cemitério de Janitzio, México. 
Lugar mais charmoso para passar a Noite dos Mortos no México, o cemitério da pequena cidade de Janitzio vê quase 100.000 visitantes durante as comemorações. Com o sino do cemitério repicando a noite inteira, a atmosfera foi inspiração para o filme Coco.

Cemitério de Oakland, Atlanta. 
Fundado em 1850, cresceu notavelmente até alcançar oito vezes o tamanho inicial, 
devido às mortes na Guerra Civil. Agora, à primeira vista, parece mais um grande parque para famílias do que propriamente um cemitério. Os eventos são múltiplos toda semana, desde piqueniques e aulas de ioga até corridas. Os tours no cemitério também são únicos e temáticos. Em outubro, 10 dias são reservados para passeios de Halloween. 
oaklandcemetery.com

Cemitério de Concórdia, El Paso. 
60.000 pessoas estão enterradas nesse cemitério do Texas, a poucos quarteirões da fronteira mexicana, conhecido pela diversidade de seus moradores, incluindo uma grande seção chinesa, judaica e até mórmon. Conhecido pelos eventos do Dia dos Mortos e os passeios noturnos.
concordiacemetery.org

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