Beatriz Luengo Publica Novo Livro

"Dizem que 'por trás de um grande homem, uma grande mulher', e quão difícil tem sido para nós ser 'aqueles por trás.'"

PALAVRAS Beatriz Luengo
Novembro 2019
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Com o lançamento do meu primeiro romance, os jornalistas me perguntam: “Onde você encontra o seu lugar de criação?” “Nos aviões!”, exclama o meu eu mais sincero.

É que meu livro tem mais quilômetros de voo do que caracteres, o que não é pouco. Foi impresso em Barcelona, mas a primeira semente foi plantada em um avião rumo à Cidade do México, enquanto eu lia um livro maravilhoso, e uma aeromoça me serviu um café e comentou gentilmente: “Não sei o que você está lendo, mas deve ser muito interessante, porque não parou de sorrir para o papel durante toda a viagem”.

“É uma biografia sobre Dalí. Você sabia que ele assinou seus quadros como Gala-Dalí em homenagem à esposa, alegando que ela era a responsável por lhe trazer as essências necessárias para transformar em mel a atarefada colmeia do cérebro dele? Que bela homenagem à mulher que tanto deu a ele!”

“Sim!... que bela história de amor e que grande inspiração conhecer essas mulheres à sombra desses gênios”, me disse. Anotou o título e o autor. Sem saber, ela me deu mais do que uma bebida: deu-me a chave para escrever um livro baseado na vida de 12 mulheres impressionantes e desconhecidas por terem estado “por trás” dos maridos geniais.

Diz-se que “por trás de um grande homem existe uma grande mulher”, e que difícil é sermos as “que estão por trás” ao longo dos séculos. Nos meses posteriores à viagem, aquela semente foi germinando. Durante meu voo seguinte para Madri, a 10.000 m de altura, essas mulheres que chamo de “Musas” me sussurram suas passagens pelo mundo. Pude ver Maria Madalena, mulher inteligente e de grandes conhecimentos, incomodada pela profissão que lhe atribuem, que está distante de sua realidade. Acompanhou seu amado Jesus e foi mais uma apóstola, como afirma o Papa Francisco.

Mas uma relação de amor distante do casamento tinha uma resposta lapidária para a mulher dentro da sociedade da época e, infelizmente, dois milênios depois os filmes continuam apagando sua contribuição à história. Prestes a aterrissar em Madri, abraço Mileva Maric, a primeira esposa de Einstein que estudou Física e Matemática com o marido famoso. Suas contribuições só vieram à tona em cartas publicadas décadas depois da morte dela.

Já com Gala, Maria Madalena e Mileva em minha bagagem, peguei um voo de volta para Nova Iorque. Dessa vez, pude ver minhas “Musas” sentadas em seus tronos de nuvens esperando com cumplicidade que eu passasse para buscá-las pelo Atlântico. Encontrei mais musas pelo mundo: México, China, Rússia, minha própria Espanha. Finalmente, sob o calor da minha casa em Miami, eu as registrei em O Despertar das Musas, no qual reescrevi as histórias dessas mulheres esquecidas. E celebro aquelas que agora procuram criar a própria realidade.

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