O Mundo da Magia do Universal Orlando Resort

O Universal Orlando Resort é conhecido pelas espetaculares e mágicas celebrações em dezembro. Os personagens tornam tudo possível.

PALAVRAS Celeste Rodas de Juarez
Novembro 2019
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Cortesia Universal Studios

Algo mágico aconteceu na infância de Celiana Clavell. Embora morasse em Porto Rico, o pai adorava Orlando e sempre a levava à Universal Studios. “Foi por causa dele que me apaixonei por tudo isso”, lembra. “Na primeira vez que vim, o estacionamento ficava bem em frente ao parque e se caminhava diretamente do carro até a entrada”. Hoje, ao invés de um parque temático, o complexo Universal Orlando Resort possui três (Universal Studios, Universal’s Islands of Adventure e Volcano Bay Water Theme Park), além da própria coleção de hotéis e a CityWalk, uma enorme área de restaurantes e lojas.

E Clavell? Como responsável pela maquiagem e figurino dos personagens da Universal Orlando, passa quase todos os dias no lugar que amava quando pequena.

“Nos 19 anos em que trabalho aqui, presenciei um crescimento grandioso. Minha época favorita é dezembro, porque temos a Macy’s Holiday Parade, um maravilhoso desfile de carros alegóricos”, diz Clavell. Também, nessa época, tudo se veste com luzes, desde o arco da entrada, onde 7.000 luzinhas iluminam o nome do parque, até uma enorme árvore de Natal com 100.500 lâmpadas de todas as cores.

Por trás de tudo isso está um grupo de criadores que enfrenta o desafio de surpreender os visitantes com mais e mais inovações.


TJ Mannarino, Vice-presidente de Entretenimento, Arte e Design, Divisão de Entretenimento. O que faz: A arte e o design de todos os sets e construções, como os da Universal’s Holiday Parade featuring Macy’s.

O Sonhador

“Um dia normal de trabalho começa com 5 a 10 colegas reunidos para conversar sobre os novos filmes ou programas de televisão que vimos da nossa companhia”, diz Mannarino. “Nosso brainstorming é saber o que o público vê e poderia experimentar em nossos parques”.

Depois vem a parte mais difícil: “Concretizar as ideias é muito mais complicado. Por exemplo, há um ano falamos das coisas novas que programaríamos para o novo desfile da Macy’s Holiday Parade. É algo gigantesco. Precisamos de quase dois mil metros cúbicos de gás hélio para deslocar 14 carros alegóricos enormes e 12 balões gigantes, enquanto 100 atores dão vida aos Minions de Meu Malvado Favorito e Shrek, Madagascar e outros personagens famosos do desfile”.


Um Minion no desfile da Macy’s. 

O maior desafio, acrescenta, é que todos esses projetos envolvem “um grande número de pessoas, e o processo dura o ano inteiro”. Que uma equipe tão grande consiga coisas incríveis “é a própria definição de ser criativo”, diz Mannarino. “E a mensagem é sempre a mesma: ‘Não se limite’.”

A ação está em toda parte. “Onde você parar, descobrirá coisas fascinantes. Existem milhares de metros de guirlandas penduradas ao redor do parque.  Na área de Harry Potter, as luzes foram projetadas para parecerem mágicas, e, nesses jardins, não existem somente plantas, também existem plumas!”

Embora dezembro esteja associado às festas, “todo o nosso conteúdo existe para além do Natal”, diz. “Nossas atrações são universais: atraem pessoas de todo o mundo, de todos os idiomas em dezembro”.


Blake Braswell, Diretor e Autor de Espetáculos – Desenvolvimento Criativo de Entretenimento do Universal Orlando Resort. O que faz: Depois de ter sido um dos atores do Wizarding World of Harry Potter nesse parque, agora dirige e escreve alguns de seus shows mais importantes, como Grinchmas Who-liday Spectacular.

O Diretor

O fato de ter sido ator é indispensável para o trabalho de Braswell como diretor. “De fato, há não muito tempo, fazia parte do elenco do Wizarding World of Harry Potter. Ter estado no lugar dele, atuando, me ajuda não apenas a dirigir as audições, mas também a sentir os personagens. Você precisa compreendê-los para poder dirigi-los”.

Em The Grinch, por exemplo, um dos grandes personagens é o narrador, porque é ele quem conduz o público na história do Grinch. Para ajudar a obter uma melhor interpretação, pede aos candidatos que “imaginem que sou uma criança pequena e que eles são o avô que está me contando a história de The Grinch. Se eles conseguem me dar essa impressão, estão no caminho certo”.
Braswell dirige e encena o show Grinchmas Who-liday Spectacular. 

Braswell acrescenta que sempre leva em consideração o calor humano dos candidatos e lembra que, há alguns meses, terminou uma dessas audições com os olhos quase cheios de lágrimas. Um dia, se apresentaram seis cantoras com vozes espetaculares para o show de The Grinch, mas o mais sensacional é que, embora estivessem competindo entre elas, todas se aplaudiam efusivamente quando as outras terminavam. “Foi um show de grandes vozes e de camaradagem que encheu todos nós de emoção. Momentos como esse são a parte mais gratificante do meu trabalho”. No final, ele selecionou quatro cantoras e designou cada uma delas para uma das quatro equipes de 10 artistas do show, que é apresentado até 5 de janeiro, de seis a oito vezes por dia. “Precisamos de vários grupos de atores para que todos possam descansar”, comenta.


Michael Aiello, Diretor Criativo Sênior de Entretenimento ao Vivo, Divisão de Entretenimento. O que faz: Dirige a criação de espetáculos permanentes e temporários, como The Magic of Christmas at Hogwarts Castle e a Universal Orlando’s Cinematic Celebration.

O Criador De Ilusões

Quando menino, Aiello visitava os parques da Universal com o pai e ficava fascinado com a conexão entre cada atração e seus filmes favoritos.

“Causa-me nostalgia falar sobre o poder dessas visitas”, diz Aiello. “E.T. foi a primeira atração mecânica em que fui, e continua sendo a minha favorita. Quando fico sem inspiração para um novo projeto, vou ao E.T., entro e parece que tudo muda: de repente, as ideias ficam mais claras. Isso me ajuda a respirar melhor”.

Por trás de todo o seu trabalho há um estudo profundo, como no caso dos espetáculos de Harry Potter.


O show de luzes no Castelo de Hogwarts. 

“Vi todos os filmes e li os livros várias vezes. Se você olhar meus exemplares desses livros, estão mais do que gastos: com grifos em amarelo em algumas frases, anotações a lápis em outras; algumas páginas caíram e tive de colá-las novamente. Mas foi para que os libretos dos nossos espetáculos representassem cem por cento a história original. Foram anos a estudar Harry Potter. Pesquisamos muito para trazer todos os pormenores de cada livro ao parque”.

Seu espetáculo favorito é The Nighttime Lights At Hogwarts Castle. “O sistema dele usa 24 projetores de alta definição, que estão escondidos para manter a ilusão de algo mágico, e usa 500 luzes LED”.

Embora Aiello não seja músico, sua inspiração criativa vem dessa fonte. Para o show de luzes de Hogwarts, por exemplo, ele ouviu todas as músicas de John Williams, criador da trilha sonora dos primeiros três filmes de Harry Potter. “A música é uma ferramenta incrível. É muito subliminar e capaz de gerar emoção em todos”.


Celiana Clavell, Diretora Sênior de Arte e Design. O que faz: Direção de figurino e maquiagem de todos os personagens de entretenimento do Universal Orlando Resort.

A Estilista

Somente nos shows desta temporada de fim de ano dirigirá um guarda-roupa de 3.000 peças, uma proeza que esta dinâmica porto-riquenha descreve como “diversão pura”. Mas toma tempo.

O único protótipo da roupa de Grinch, por exemplo, levou 8 meses. “Ele tem penugem nos braços, nas mãos, no rosto. E usa uma peruca que limpamos no fim de cada dia”, explica.

O figurino para as festas de fim de ano do The Wizarding World of Harry Potter também começou a ser criado há dois anos. “Só o vestido de Celestina (a feiticeira cantora que tem o próprio show) levou 18 meses para ser finalizado”.


Trajes de atores em Universal Studios. / Getty Images

“Tudo está nos detalhes”, explica. “O que vamos usar na cabeça, nas mãos. Fizemos os vestidos das Banshees com silver, de modo que, ao dançarem, pareça que flutuam”.

No meio do caminho, é possível que parte ou todo o design seja alterado, como foi o caso de Celestina. Quando pensavam que estava prestes a terminar, foi preciso reduzir um bom número de camadas, porque a personagem tinha dificuldades para se movimentar com ele.

“Valeu a pena cada um dos ajustes”, diz Clavell, que se emociona sempre que vê Celestina usando o novo vestido: “É um vermelho maravilhoso e tem mil pedrinhas e vidros; enquanto ela se move, saem brilhos da roupa. É tudo bling-bling”, diz com uma gargalhada.

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